

Enquanto a procissão caminha, elevando
e exaltando a imagem do Santo, quem carrega o andor são os fiéis.
Enquanto a música invade os ambientes, elevando e exaltando a obra
do compositor, quem se encarrega da divulgação são
os músicos fiéis.
Atos de fé isolados e afins...
Imagino quantos milhares de músicos brasileiros talentosos, apaixonados
e devotos ficaram no anonimato exaltando e divulgando o “choro”...
São os grandes responsáveis pela manutenção
de um gênero musical que se mantém vivo até hoje. Músicos
que fizeram e ainda fazem história em grupos isolados, onde recebem
o reconhecimento, tornam-se imortais, destacam-se, ganham notoriedade apenas
no círculo restrito que atuaram e ainda atuam. São fiéis
isolados que mantêm erguidos os santos sonhos dos compositores. O
Brasil não conhece esses artistas brasileiros. Até sabe da
existência deles, mas prefere manter distanciamento. Uma lástima...
Aristides? Quem é Aristides?
Aristides é um dos fiéis anônimos que ergueu e sustentou
o andor de muitos compositores brasileiros. Por onde ia, semeava suas frases
ditas através do violão 7 cordas. Um apaixonado. Em Volta
Redonda recebeu trono e coroa nas rodas de choro. Incansável na divulgação,
estava lecionando seu 7 cordas quando foi convidado a se retirar do corpo
para conhecer, pessoalmente, todos os compositores que ele ajudou a divulgar...
- Aristides, leve nossas recomendações a Jacob do Bandolim,
a Ernesto Nazareth, Pixinguinha, Callado, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos
e a tantos outros “santos” do choro! E, só mais uma coisa,
Aristides... Aquela dedeira prateada, que você fez para o Ciron, ainda
está e sempre estará no polegar dele. É mais uma das
suas sementes que brotaram. O andor agora está nas mãos dele...
Andiana Freitas